Analisar as acções

Existem duas grandes escolas que dividem teoricamente os analistas: os que defendem a «análise técnica» ignoram a situação financeira das empresas e analisam gráficos com cotações e indicadores. Os que defendem a chamada «análise fundamental» centram-se nos aspectos contabilísticos das empresas e preferem recorrer aos relatórios de contas anuais e trimestrais.

A análise técnica baseia-se na ideia de que existem padrões gráficos que permitem prever subidas ou descidas futuras. Medições com médias e linhas de tendência mais sofisticadas são usadas para determinar se um título é bom para comprar ou vender. O problema desta análise é que os gráficos enganam e os indicadores, embora funcionem muito bem em determinados períodos, são bastante falíveis e desactualizam-se com o tempo.

Os instrumentos usados pelos analistas técnicos dividem-se normalmente em dois: indicadores e osciladores.

Os indicadores são instrumentos como linhas de média (médias móveis), que assumem valores por cima ou por baixo da linha do preço para significar algo. Os osciladores formam linhas que oscilam dentro de determinados limites de valor, como zero e 1 ou zero e 100.

A análise fundamental é mais de cariz contabilístico e de gestão. É orientada para investir a longo prazo. Mas, acontece que uma empresa não é apenas o seu relatório de contas e o seu conselho de administração, pelo que este tipo de análise também está sujeita a um conjunto próprio de problemas.

Em anos recentes desenvolveu-se muito um tipo de análise chamada quantitativa, mais na linha da estatística, da probabilidade e da inteligência artificial, que recusa a ideia dos populares padrões gráficos e que medem relações de força do mercado e padrões invisíveis, multidimensionais, impossíveis de representar em gráfico. Este tipo de análise estará também sujeito às suas falhas mas ajuda bastante a decidir.

Uma boa ideia é conjugar os três tipos de análise, por exemplo, desta forma:

1. Conhecer bem a empresa onde vai investir. O conselho de administração é competente? A empresa é inovadora? A empresa tem produtos ou serviços muito difíceis de serem prestados por outras empresas? Tem processos em tribunal que provalvelmente lhe retirem lucros?

2. Verificar se os gráficos registam uma queda de cotação que começa a claramente a recuperar, ou uma subida que ignora consistentemente as descidas do mercado;

3. Da análise de outras empresas, determinar quantos dias deverá ter o título em carteira e qual é a percentagem média que tem sido possível obter com outros negócios recentes semelhantes. É normal que seja um valor como 2,5% ou 6%.

Em todo o caso, a experiência diz que o meio é a virtude e que os três métodos de análise podem ser perfeitamente complementares uns dos outros.

Há ainda a hipótese de escolher dois ou três sectores de indústria e procurar oportunidades em empresas só desses sectores.


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Parte I: Investir na Bolsa

É difícil ganhar dinheiro na Bolsa?
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De quantas empresas devo comprar acções?
Como posso investir com menos risco?
Posso comprar acções através do meu banco?
E os dividendos?
Posso transmitir ordens quando o mercado está fechado?
Limitações e potencialidades do investidor particular

Parte II: O mercado

A mecânica do mercado
Alteração da lógica do mercado
Acções baratas sobem primeiro
Detectar o início da subida
Qual é o melhor índice para seguir?
Os mercados bolsistas e os câmbios
É melhor investir a curto, médio ou longo prazo?
O mercado raramente muda
O tempo e os resultados
Velocidades diferentes, expectativas diferentes
O mercado tem uma vida própria
As tendências de mercado
O que faz mexer o mercado?
O mercado é uma corrida de «cavalos»
O mercado de acções e a economia dos países
Um mundo com regras próprias
Para onde vai o dinheiro?

Parte III: Desenvolver a sua estratégia

Saber em que fase está o mercado
Utilizar um sistema de investimento
Na Bolsa não se prevê o futuro
Será que os padrões funcionam?
Acompanhar os índices ou empresas individualmente?
Na Bolsa, a História repete-se
Utilizar as notícias
Perceber que resultados iremos obter

Parte IV: Análise de acções

Selecção de títulos: os amadores e os profissionais
Analisar as acções
Como são constituídos os padrões de mercado?
Como são analisadas as acções?
Manter a simplicidade dos métodos
Investir em pequenas ou grandes empresas?
Recuperação de perdas
Ferramentas para análise de investimentos
O problema dos gráficos
Sistemas «mecânicos»
Métodos que usam inteligência artificial
Os métodos funcionam sempre?
Exemplos de métodos
Ter em conta os resultados trimestrais e anuais
Compra institucional: o movimento dos gigantes
O método «piggy-back»
Aperfeiçoar os métodos
Vigiar a nossa posição
Monitorização de resultados: um exemplo
Influência da legislação
Analisar as notícias
A personalidade das acções

Parte V. Aspectos psicológicos

Aspectos psicológicos
Investidores versus especuladores
O real motivo para investir na Bolsa
Interferências emocionais
Estar sempre no mercado?
Vender sempre ao fim de um período fixo?
O lugar da hesitação
As tentações
Manter simples a nossa leitura do mercado
Os níveis de ignorância
O mercado tem sempre razão
As ondas do mercado
Utilizar o «pensamento contrário»
As suas opiniões valem mais
Não se apaixone pelas empresas
Saber é fácil, fazer é difícil
Estilo de vida e Educação
Visão integrada dos investimentos
Agarrar as oportunidades

Parte VI: Teorias relacionadas com investimento em acções

Teorias relacionadas com investimento em acções
A teoria Dow
As ondas de Elliot
O Efeito-borboleta e a Teoria do Caos

Parte VII: A vida de grandes investidores

Perfil dos grandes investidores
Jesse Livermore
Daniel Zanger
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Parte VIII: Manipuladores do mercado

Ouvir os analistas e comentadores?
Cuidados com a Internet e a Comunicação Social
A quem interessa a diversificação?
«Pump'n'dump»: manipulando investidores inexperientes

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